domingo, 25 de fevereiro de 2018

O quintal de Adélia Prado

Ah! o quintal de Adélia...
Natureza? Está lá.
Mato? Com certeza.
Adélia? Sábia. Simples. Inteira. Intensa.
Poeira no único lugar em que é bendita: quintal.
 
Não sei quanto de meus sonhos
amontoei no quintal de Adélia Prado.
Muitos cavei.
 
Quem me dera uma tarde ali,
vendo o sol entrando por entre aquelas cercas de bambu,
sentindo o mundo entrando sem cerimônia,
em nesgas generosas de luz.
Que cenário é mais apropriado para uma poeta da vida?
O cotidiano curvando-se à vital sombra de árvore,
as sementes brotando a céu aberto,
céu pejado de pássaros,
a lua em sua longa estrada curva,
solta e cheia sobre a cabeça...

Plasmei o quintal de Adélia no mais seguro pensamento.
De vez em quando, fecho meus olhos com um sorriso franco
e - mas ela não sabe - vou entrando com a Ave Maria.
Sentamo-nos ali, na tardinha das coisas,
Eu, a Poeta, o Universo em Poesia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário