Ah! o quintal
de Adélia...
Natureza? Está
lá.
Mato? Com
certeza.
Adélia? Sábia.
Simples. Inteira. Intensa.
Poeira no único
lugar em que é bendita: quintal.
Não sei quanto
de meus sonhos
amontoei no
quintal de Adélia Prado.
Muitos cavei.
Quem me dera
uma tarde ali,
vendo o sol
entrando por entre aquelas cercas de bambu,
sentindo o
mundo entrando sem cerimônia,
em nesgas
generosas de luz.
Que cenário é
mais apropriado para uma poeta da vida?
O cotidiano
curvando-se à vital sombra de árvore,
as sementes
brotando a céu aberto,
o céu pejado de pássaros,
a lua em sua
longa estrada curva,
solta e cheia
sobre a cabeça...
Plasmei o
quintal de Adélia no mais seguro pensamento.
De vez em
quando, fecho meus olhos com um sorriso franco
e - mas ela não
sabe - vou entrando com a Ave Maria.
Sentamo-nos
ali, na tardinha das coisas,
Eu, a Poeta, o Universo em Poesia.
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