sábado, 10 de agosto de 2024

 

(Tenho muita simpatia por Teilhard de Chardin e compartilho esta pequenina mirada sobre sua vida. Meu texto foi escrito à luz de um artigo de Paulo Meneses)
 
RESUMO do artigo de Paulo Meneses sobre
Teilhard de Chardin – O homem dos dois reinos
Por Ana Barth
 
“Filho da terra e filho de céu”: é assim que o próprio Teilhard de Chardin se intitulava e que resumia bem sua vida de muito estudo terreno, mas com mirada no alto, em Cristo, sobretudo.
 
Para situar a presença importante e a luta de Chardin em sua passagem pela Terra, Paulo Meneses recorda, sinteticamente, a trajetória da Igreja que, depois de abraçar “com sofreguidão o poder oferecido por Constantino” e no século XIX, com Pio IX, estigmatizar “os sacrílegos que propuseram que a Igreja abrisse mão da soberania sobre grande parte da Itália e se dedicasse ao Evangelho”, voltava seus fogos para as novas heresias do mundo moderno – com o qual só se reconcilia sete anos após a morte de Chardin, via Concílio Vaticano II –, mirando o evolucionismo e, depois, a psicanálise. 
 
Chardin era um ser de enorme magnanimidade, evolucionista, cientista, paleontólogo de campo, não só de gabinete, homem à frente do seu tempo, e sofreu algumas restrições por seu pensamento, tendo sido enviado para longínquas terras chinesas – distante de Roma e de Paris, a fim de não ferir a segurança doutrinária. Sem vaidade, dobrava-se como caniço na passagem dos vendavais, sabedor de que o tempo aclara sempre as coisas ainda não entendidas. E na distante Ásia continuou seus estudos, aprofundando-se como cientista e aprofundando o sentido do mundo e da sua vida, que, segundo lhe parecia, tinha por função “ajudar uma alma nova a nascer no que já existe”. Era um verdadeiro filósofo; sinóptico, tinha o olhar fixo no todo, e qualquer elemento particular era visto por ele na perspectiva da totalidade. É assim que observava o processo dos elementos na natureza, os graus crescentes de complexidade, mas com a unidade sempre presente e com a autonomia relativa das partes: átomos, sem deixarem de ser átomos, se reuniam em moléculas, depois em células vivas, depois em organismos... O arranjo não era, absolutamente, casual, mas apresentava uma socialização que se situa no eixo evolutivo. Em grau avançado, essa socialização se define como “a forma última da evolução biológica em meio refletido”. 
 
Para Chardin, tudo está imerso numa transcendência e dela recebe o seu sentido – Deus está no começo de tudo, no ponto Alfa, e no fim de tudo, no ponto Ômega. Seu olhar cristocentrado via em Jesus o ponto de convergência e de união, que trabalha no íntimo de todo ser e de toda a evolução, orientando-a para o Pai.
Místico, não era ele apenas homem de fé: absorveu em si a experiência de Deus, intraduzível em linguagem humana. Para Chardin, todo o mundo material (o grande corpo cósmico) estava impregnado de Deus, e Cristo tinha a missão de fazer convergir tudo para Deus. Para isso, Cristo se inseria em tudo.
Tinha Teilhard de Chardin, como São João da Cruz e Santa Teresa, a autêntica mística cristã.