Eis que, numa volta da vida, surge
o inesperado: a perda de uma posição no trabalho e o salário menor no fim do
mês. Entre as implicações da nova realidade, está a queda no padrão de vida,
que infelicita muita gente acostumada com certas comodidades. Será, contudo,
que não se pode descobrir um lado bom numa fase mais contida financeiramente?
Se uma reviravolta assim nos
acontecer (que tal, também, se ela não nos acontecer?), será bom fazer uma
revisão do estilo de vida, dos valores e conceitos às práticas, examinando o
emprego que fazemos do tempo e, naturalmente, checando a real necessidade das despesas
antes costumeiras. E, porque a teoria dos acasos não nos satisfaz, será útil observar
com atenção todos os recados da vida, nos tempos de vacas gordas e ainda mais no
de vacas nem tanto.
Vacas magras falam da
desnecessidade de se deixar fisgar pelas centenas de ofertas que as vitrines
expõem para abarrotar nossos armários: potes, sapatilhas, bolsas, esmaltes e
até enfeites que servem mesmo para acumular boa poeira e só. Elas nos lembram de
analisar os produtos e pensar na utilidade das coisas. Se tivermos maturidade, boa
vontade e um perfil que não se inclina à revolta e às queixas incessantes, uma
fase financeiramente contida poderá ser também mais calma e menos
estressante – ela pode trazer o tempo propício ao nosso preparo para etapas
mais felizes. E possibilidades de reinventar a vida a cada dia não faltam!
·
Se, por exemplo, a ida a
restaurantes ficar escassa, nem por isso teremos que sufocar o prazer de comer bem:
convide amigos, prepare seus pratos em casa
Que tal descobrir o prazer de
encarar a cozinha, descobrir a bandeja de temperos, abrindo o livro de receitas
sobre a bancada? Alguns aspirantes a chef
nascem dessas prazerosas permissões domésticas, reunindo em casa amigos que têm
gosto pelos aromas culinários. Além disso, nos dias comuns, vale experimentar
fugir dos açúcares e ingredientes industrializados, preparando lanches com
calma, beleza, cores, criatividade, seguindo a cartela dos alimentos saudáveis,
frescos – e mais em conta – da estação. Uma passadinha na feira, aliás, nos dá
boa ideia de como tem gente interessada em comer bem e não terceirizar sua
aventura na cozinha.
·
É hora de se preparar para dormir
bem e dormir o necessário, repondo as energias que a fase mais atribulada nos
roubava
A glândula pineal, responsável
pela produção de melatonina (que regula o sono), funciona no escuro, quando o cérebro
não está sendo excitado por sons e luzes. Se nosso sono não for de qualidade,
faltará energia para muitas atividades nobres, como leitura, reflexão,
pesquisa, estudo, coisas que nos favorecem com o discernimento e nos fortalecem
o ânimo. Apague as luzes, desligue-se dos aparelhos eletrônicos. Durma bem!
·
Se a vida propôs uma virada, abra
espaço para o conhecimento de coisas novas, mas, principalmente, para o
conhecimento de si mesmo
Perguntas sobre o sentido da vida,
de onde viemos, para onde vamos, o que viemos fazer neste Planeta, são das mais
importantes que o ser humano precisa fazer. Se não o fizer, as asas do
pensamento, da criatividade, da serenidade, da compreensão, da paz interior não
se desenvolverão a contento. Dê ouvidos à voz interna que certamente já lhe
provocou com esses assuntos.
Um amigo engenheiro trabalhava freneticamente
por mais de 15 horas no dia, agitando-se entre as várias obras que acompanhava,
até que, surgindo um problema no joelho, viu-se obrigado a se poupar bastante.
Vendo-o chegar, então, com seu novo andar lento e cuidadoso, um operário lhe
desferiu este pensamento cheio de lapidada sabedoria: “Isso aí é pra minguar a
toada, doutor”. A genialidade da lição foi por ele imediatamente compreendida.
A preocupação com o ter lhe estava
sequestrando as horas do ser, mas a
energia psíquica sempre encontra um meio de promover o impulso de que necessitamos
para dar início à transformação e reconstrução de nós mesmos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário